Alguns membros do grupo Made in Aveiro participaram no passei cujo programa foi:
10:00 - Concentração no largo fronteiro à igreja do Senhor Jesus das Barrocas - Contextualização de Aveiro no principio do século XVIII com breve historial do tempo, contemplando o enquadramento sociológico da invocação;
10:45 - A capela da Senhora da Alegria – Exposição das suas origens medievais com chamada de atenção para as artes mais marcantes do templo: o azulejo antigo e os painéis modernos;
Cruzeiro de Sá: observação e considerações sobre alguns aspectos arquitectónicos; razão de ser em Sá.
11:30 - Casas arte-nova, na avenida Cândido dos Reis: típica de Aveiro e chamada de atenção para a preservação da mesma ;
Notas gerais sobre "o estilo";
12.00 - A Estação do Caminho-de-Ferro - a construção inicial; Enfoque sobre a recuperação do edifício da estação e os painéis aí inseridos.
Notas históricas dos locais visitados
O Cruzeiro de Sá:
O velho cruzeiro continua a desafiar a memória dos homens desde quando em tempos de glória, mareantes e pescadores demandavam os confins do império colonial e o bacalhau da Terra Nova. Certa irmandade o mandou erigir, como consta de letreiro, no pedestal da cruz: “ESTA OBRA E SINO MANDOU FAZER ADRE RIBEIRO IVIZ E IOAM PRETO MORDOMO E ATONIO AFOMSO ESCRIVÃO ER D
Compõe-se de quatro colunas jónicas, assentes
Junto à capela de N.ª S.ª da Alegria, em Esgueira, localiza-se uma outra, a capela do Senhor das Barrocas.
A crescente devoção ao Senhor das Barrocas devida aos milagres que lhe foram atribuídos veio dar origem à edificação de uma capela octogonal. Iniciada a 15 de Novembro de 1722, desconhece-se a sua autoria embora se afaste o panorama de ter sido obra de um arquitecto regional já que o projecto e respectiva execução demonstram que se tratava de um artista com sólida formação. Dez anos depois, a 16 de Novembro procedeu-se à inauguração e bênção do templo.
Tem como uma das principais características o portal principal da capela que se assemelha fortemente ao portal da Biblioteca da Universidade de Coimbra.
Estação Caminhos-de-ferro
Inicialmente a cidade não estava contemplada no projecto inicial devido às dificuldades de execução já que se localizava num local lagunar e húmido. Apenas por intervenção de José Estêvão se acabou por fazer a linha de caminhos-de-ferro passar por Aveiro. Apesar de ter sido acabado em 1864, só mais tarde se viria a construir a “casa” da estação que apenas foi concretizada quando o movimento ferroviário o justificou. Para nós ficou o rico património cultural de que faz parte a grande variedade de azulejos (cerca de meia centena) com motivos regionais: figuras típicas e das fainas mais características. A obra foi assinada por Francisco Pereira e Licínio Pinto e foram um trabalho da mais prestigiada fábrica de Aveiro – Fonte Nova.
Esta foi uma manhã de convívio, exercício e aprendizagem, em que pudemos visitar espaços da nossa cidade onde passamos diariamente sem nem reparar na sua presença, desta vez, olhamos para esse espaços com outros olhos.
Entramos na igreja e na capela das barrocas, e assim pudemos ver os seus pormenores arquitectónicos e saber mais sobre a tua história.
De seguida passamos em alguns edifícios arte-nova, onde foram feitas considerações sobre este estilo tão próprio e comum em Aveiro.
Prosseguimos em direcção à estação de Caminhos-de-Ferro de Aveiro onde observámos os azulejos típicos da cidade e onde foram referenciadas alguns referências históricas à cerca da estação, a sua parte antiga e a construção recente
No fim do passeio, tomámos alguns minutos ao Dr. Amaro Neves fazendo-lhe um pequeno inquérito sobre alguns aspectos da cidade:
Grupo: Pensa que a cidade está a evoluir no bom sentido?
Dr Amaro Neves: Aveiro estará a evoluir no bom sentido, caso contrário nem se poderia falar em evolução, mas sim em regressão. É claro que temos sempre uma perspectiva de desenvolvimento, preservando as características típicas de Aveiro e queríamos vê-las bem defendidas, há sempre algum receio de que isso não possa ser bem assim.
Acredito que está a evoluir com uma suficiente massa critica para que não se façam “disparates” grandes
G: Acha que a evolução tecnológica prejudicou ou poderá prejudicar alguns aspectos culturais?
DAN: Não, penso que a evolução tecnológica também é cultural, portanto pode trazer grandes achegas.
G: Acha que há uma grande adesão das pessoas relativamente á cultura?
DAN: Já há! E há, também devido a uma maior diversidade de ofertas e portanto não se centrando na cultura de massas.
Há uma oferta muito diversificada que vai desde o cinema ao teatro, passando pela dança e pela música, etc., até se chegar a esta cultura “um pouco mais erudita”, por assim dizer.
G: Acha que a adopção de uma arquitectura mais moderna exerce algum tipo de influência na imagem da cidade?
DAN: Acima de tudo temos de ter uma arquitectura controlada. Há a obrigação de preservar alguns monumentos importantes, mas também de abrir espaço a novas construções. De qualidade, como é óbvio! Não é por serem coisas novas que vai tudo, porque há por aí muita coisa que se resume a “caixotes”.
G: Acha que, quando há eventos que têm em conta as tradições da cidade (ex.: Feira das cebolas), estas aderem ou desprezam?
DAN: Acho que umas têm sido mantidas e outras também têm vindo a cair em desuso. É natural que isso também aconteça mas há tradições que não devem ser perdidas e é aí que me parece que em algumas situações isso pode acontecer. Penso também que certas tradições como por exemplo fazer a recriação de cenários históricos não é uma coisa que me parece que tenha muito interesse porque recriar a história é fantasiar e romancear a história, para não falar no facto de se tornar uma situação muito repetitiva.
G: Acha que têm sido feitos esforços para preservar o património Aveirense e, em particular as casas arte nova como as que vimos hoje?
DAN: Penso que tem havido um esforço global nesse sentido e, há marcas que não podem perder-se, tem de haver alguma coisa de diferente, de particular de cidade para cidade.
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