Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

ADERAV e Liga dos amigos do coração: Um passeio pela cidade (conduzido pelo Dr. Amaro Neves)

A ADERAV e a LAC (Liga dos Amigos do Coração) promoveram, dia 18 de Novembro, um passeio cultural orientado pelo historiador Amaro Neves, cujo itinerário ia desde as Barrocas até à Estação de Aveiro.
Alguns membros do grupo Made in Aveiro participaram no passei cujo programa foi:

10:00 - Concentração no largo fronteiro à igreja do Senhor Jesus das Barrocas - Contextualização de Aveiro no principio do século XVIII com breve historial do tempo, contemplando o enquadramento sociológico da invocação;

 

10:45 - A capela da Senhora da Alegria – Exposição das suas origens medievais com chamada de atenção para as artes mais marcantes do templo: o azulejo antigo e os painéis modernos;

 

Cruzeiro de Sá: observação e considerações sobre alguns aspectos arquitectónicos; razão de ser em Sá.

11:30 - Casas arte-nova, na avenida Cândido dos Reis: típica de Aveiro e chamada de atenção para a preservação da mesma ;

 Notas gerais sobre "o estilo";

12.00 - A Estação do Caminho-de-Ferro - a construção inicial; Enfoque sobre a recuperação do edifício da estação e os painéis aí inseridos.


 

Notas históricas dos locais visitados

O Cruzeiro de Sá:


O velho cruzeiro continua a desafiar a memória dos homens desde quando em tempos de glória, mareantes e pescadores demandavam os confins do império colonial e o bacalhau da Terra Nova. Certa irmandade o mandou erigir, como consta de letreiro, no pedestal da cruz: “ESTA OBRA E SINO MANDOU FAZER ADRE RIBEIRO IVIZ E IOAM PRETO MORDOMO E ATONIO AFOMSO ESCRIVÃO ER D 1554”

Compõe-se de quatro colunas jónicas, assentes em pedestais. Ao centro, porém, uma coluna coríntia de capitel muito corroído suporta uma cruz de feitura moderna. (…) Foram aplicados restos de azulejos dos finais do século XV esverdeados e brancos e outros quinhentistas formando cruzes, todos provenientes do templo.

 

Capela do senhor das barrocas

 

Junto à capela de N.ª S.ª da Alegria, em Esgueira, localiza-se uma outra, a capela do Senhor das Barrocas.

A crescente devoção ao Senhor das Barrocas devida aos milagres que lhe foram atribuídos veio dar origem à edificação de uma capela octogonal. Iniciada a 15 de Novembro de 1722, desconhece-se a sua autoria embora se afaste o panorama de ter sido obra de um arquitecto regional já que o projecto e respectiva execução demonstram que se tratava de um artista com sólida formação. Dez anos depois, a 16 de Novembro procedeu-se à inauguração e bênção do templo.

Tem como uma das principais características o portal principal da capela que se assemelha fortemente ao portal da Biblioteca da Universidade de Coimbra.

 

 

Estação Caminhos-de-ferro

 

Inicialmente a cidade não estava contemplada no projecto inicial devido às dificuldades de execução já que se localizava num local lagunar e húmido. Apenas por intervenção de José Estêvão se acabou por fazer a linha de caminhos-de-ferro passar por Aveiro. Apesar de ter sido acabado em 1864, só mais tarde se viria a construir a “casa” da estação que apenas foi concretizada quando o movimento ferroviário o justificou. Para nós ficou o rico património cultural de que faz parte a grande variedade de azulejos (cerca de meia centena) com motivos regionais: figuras típicas e das fainas mais características. A obra foi assinada por Francisco Pereira e Licínio Pinto e foram um trabalho da mais prestigiada fábrica de Aveiro – Fonte Nova.

 

Esta foi uma manhã de convívio, exercício e aprendizagem, em que pudemos visitar espaços da nossa cidade onde passamos diariamente sem nem reparar na sua presença, desta vez, olhamos para esse espaços com outros olhos.

Entramos na igreja e na capela das barrocas, e assim pudemos ver os seus pormenores arquitectónicos e saber mais sobre a tua história.

De seguida passamos em alguns edifícios arte-nova, onde foram feitas considerações sobre este estilo tão próprio e comum em Aveiro.

Prosseguimos em direcção à estação de Caminhos-de-Ferro de Aveiro onde observámos os azulejos típicos da cidade e onde foram referenciadas alguns referências históricas à cerca da estação, a sua parte antiga e a construção recente



 


No fim do passeio, tomámos alguns minutos ao Dr. Amaro Neves fazendo-lhe um pequeno inquérito sobre alguns aspectos da cidade:

Grupo: Pensa que a cidade está a evoluir no bom sentido?

 

Dr Amaro Neves: Aveiro estará a evoluir no bom sentido, caso contrário nem se poderia falar em evolução, mas sim em regressão. É claro que temos sempre uma perspectiva de desenvolvimento, preservando as características típicas de Aveiro e queríamos vê-las bem defendidas, há sempre algum receio de que isso não possa ser bem assim.

Acredito que está a evoluir com uma suficiente massa critica para que não se façam “disparates” grandes em Aveiro. Massa critica ou seja, com a vossa participação e com a das gentes jovens, porque senão qualquer dia temos as cidades todas iguais em que predominam os ”caixotes” de apartamentos.

 

G: Acha que a evolução tecnológica prejudicou ou poderá prejudicar alguns aspectos culturais?

 

DAN: Não, penso que a evolução tecnológica também é cultural, portanto pode trazer grandes achegas.

 

G: Acha que há uma grande adesão das pessoas relativamente á cultura?


DAN: Já há! E há, também devido a uma maior diversidade de ofertas e portanto não se centrando na cultura de massas.

 Há uma oferta muito diversificada que vai desde o cinema ao teatro, passando pela dança e pela música, etc., até se chegar a esta cultura “um pouco mais erudita”, por assim dizer.

 

G: Acha que a adopção de uma arquitectura mais moderna exerce algum tipo de influência na imagem da cidade?


DAN: Acima de tudo temos de ter uma arquitectura controlada. Há a obrigação de preservar alguns monumentos importantes, mas também de abrir espaço a novas construções. De qualidade, como é óbvio! Não é por serem coisas novas que vai tudo, porque há por aí muita coisa que se resume a “caixotes”.

 

G: Acha que, quando há eventos que têm em conta as tradições da cidade (ex.: Feira das cebolas), estas aderem ou desprezam?

 

DAN: Acho que umas têm sido mantidas e outras também têm vindo a cair em desuso. É natural que isso também aconteça mas há tradições que não devem ser perdidas e é aí que me parece que em algumas situações isso pode acontecer. Penso também que certas tradições como por exemplo fazer a recriação de cenários históricos não é uma coisa que me parece que tenha muito interesse porque recriar a história é fantasiar e romancear a história, para não falar no facto de se tornar uma situação muito repetitiva.

 

G: Acha que têm sido feitos esforços para preservar o património Aveirense e, em particular as casas arte nova como as que vimos hoje?

 

DAN: Penso que tem havido um esforço global nesse sentido e, há marcas que não podem perder-se, tem de haver alguma coisa de diferente, de particular de cidade para cidade.

 

                                                                                                                   

 

 (BREVEMENTE SERÃO ADICIONADAS NOVAS FOTOS).

tags:
publicado por madeinaveiro às 00:03
link do post | comentar | favorito
|

{visitas

{Participa!


Get your own Poll!

{mais sobre nós


{ ver perfil

{ adicionar como amigos

. 10 seguidores

{pesquisar

{Maio 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31

{posts recentes

{ Ponto de situação:

{ Um dia no Parque!

{ 11 de Maio, no Parque Inf...

{ Dinamizar o Parque por um...

{ Video de apresentação

{ Regresso às Cidades Criat...

{ Avaliação de AP do 2º Per...

{ AUTO AVALIAÇÃO

{ Visita à SIMRIA...

{ Trilho do Parque Municipa...

{arquivos

{ Maio 2008

{ Abril 2008

{ Março 2008

{ Fevereiro 2008

{ Janeiro 2008

{ Dezembro 2007

{ Novembro 2007

{ Outubro 2007

{tags

{ todas as tags

{links

{pesquisar

blogs SAPO

{subscrever feeds